Aps presso de atletas, dirigentes acenam com mudana de voto em nova Assembleia

A pressão dos atletas pode causar uma reviravolta no novo estatuto do Comitê Olímpico do Brasil, aprovado na última semana. Diante da grande mobilização de nomes de peso do esporte, o presidente Paulo Wanderley Teixeira convocou uma nova Assembleia Geral Extraordinária para quarta-feira, dia 6 de dezembro. Pelo menos quatro dirigentes já sinalizaram a mudança de voto na questão sobre uma maior participação dos atletas nas assembleias do COB. Outros, por sua vez, preferiram não revelar abertamente a posição, mas se mostraram receptivos à revisão das escolhas. A proposta inicial da Comissão Estatuinte era de ter 1/3 dos votos para os atletas - ou seja, mudar de um para 12 votantes vindos da Comissão de Aletas -, mas, no fim das contas, o número ficou fixado em cinco, o que desagradou os esportistas.

Presidente da Confederação Brasileira de Wrestling (CBW), Pedro Gama Filho foi o primeiro a anunciar a mudança de postura. Ele afirma que a decisão foi tomada após um debate com os principais atletas da modalidade, citando nominalmente a representante da categoria, a atleta olímpica Joice Silva.

- Cheguei a levantar a questão na Assembleia de que cada esporte olímpico tivesse um representante na Comissão de Atletas, para que todos as modalidades tivessem voz dentro da Comissão. Essa proposta foi recusada e não senti que os atletas de wrestling seriam representados com essa comissão. Por outro lado, o debate gerou uma reflexão. Se neste momento, os atletas do wrestling não se sentem representados pela Comissão de Atletas, o aumento da participação para 1200% poderia gerar no futuro uma participação mais efetiva dos atletas da modalidade e a possibilidade de discutir e cobrar junto à Comissão de Atletas e ao COB melhorias para o wrestling.

 

 
Encontro no COB teve discordncia sobre participao de atletas na semana passada (Foto: Rafael Bello/COB)Encontro no COB teve discordncia sobre participao de atletas na semana passada (Foto: Rafael Bello/COB)

Encontro no COB teve discordância sobre participação de atletas na semana passada (Foto: Rafael Bello/COB)

Os presidentes da Confederação Brasileira de Boxe (CBBoxe), Mauro Silvae da Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa), João Tomasini,também confirmaram a mudança em seus votos à reportagem do GloboEsporte.com. José Luiz Vasconcellos, presidente da Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC), disse que, na primeira Assembleia, quem votou foi seu vice. Mas, desta vez, vai votar a favor do 1/3.

 

"Irei à nova Assembleia e estarei votando a favor de 12 atletas, como estava na constituinte" (José Luiz Vasconcellos, presidente da CBC)

 

- Na primeira Assembleia, quem compareceu foi meu vice-presidente, Gilvan Costa Cavalcante, mas lá houve um fato novo (se seriam 5 ou 12 representantes dos atletas). Ele não me consultou sobre isso e votou da cabeça dele. Os presidentes ficaram muito em dúvida sobre a questão, porque houve impugnação de voto (rugby) e ficou em discussão sobre o porquê dessa impugnação. Com isso, o presidente do COB, Paulo Wanderley, achou necessária a nova Assembleia. Diante disso, irei à nova Assembleia e estarei votando a favor de 12 atletas, como estava na constituinte - explicou Vasconcellos.

 

Pressão pode alterar mais votos

 

Os representantes do pentatlo moderno (Helio Meirelles Cardoso),taekwondo (Alberto Maciel Jr.), levantamento de peso (Enrique Monteiro), ginástica (Luciene Resende), handebol (Manoel Luiz Oliveira)e remo (Edson Altino Pereira Jr.) preferiram não declarar o voto antecipadamente. Os demais não retornaram o contato ou, quando o fizeram por e-mail através de notas oficiais, não deixaram clara a opção neste novo pleito.

- O que eu posso lhe dizer é que, imediatamente após a Assembleia que tivemos e que surgiu o problema, nós presidentes, com a liderança do presidente Paulo Wanderley, estamos conversando bastante para encontrar um consenso, trabalhando para que aconteça uma decisão consensual - relatou Manoel Luiz Oliveira, presidente da CBHb.

Parte dos dirigentes justificou como principal argumento pelo voto contra o aumento mais elástico da representatividade dos atletas na Assembleia da semana passada o já significativo aumento da participação dos atletas. Alguns deles ressaltaram o “crescimento de 500% desta participação”, já que, antes da aprovação do novo estatuto, apenas o presidente da Comissão de Atletas tinha direito a voto. Esse número aumentou para cinco atletas votantes.

 

"Houve um aumento de 1 para 5 com possibilidade de revisão daqui a dois anos. Acredito que as alterações devem ser gradativas, em algumas situações" (Enrique Montero, presidente da CBLP)

 

- Não votei contra nada e ninguém. A CBLP, representada por mim, votou a favor de um estatuto mais moderno e com diversas evoluções. Quanto ao item da participação dos atletas nas AGs, esclareço: não votei contra uma maior participação. Houve um aumento de 1 para 5 com possibilidade de revisão daqui a dois anos. Acredito que as alterações devem ser gradativas, em algumas situações. Outro ponto a considerar foi a baixíssima participação dos próprios atletas na própria votação da Comissão de Atletas. O tema, em minha análise, é tão controverso (ou não consensual) que houve empate – pontuou Enrique Montero, presidente da CBLP, lembrando que o placar inicial da votação foi 15 a 15.

A polêmica se instaurou porque o voto do presidente da Confederação Brasileira de Rugby (CBRu), Eduardo Mufarej, não foi contado em um segundo momento. Ele precisou se ausentar da Assembleia da semana passada, mas havia registrado em ata ser favorável à presença de 1/3 de atletas (12, em número absoluto) na composição do colegiado. Quando foi registrado o empate, o presidente da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM), Alaor Azevedo, sugeriu que o voto de Mufarej não fosse considerado. Assim, o placar final de 15 a 14 limitou a cinco o número de atletas votantes. Procurado pela reportagem do GloboEsporte.com, o dirigente do tênis de mesa disse que ainda está analisando a questão e não tem um posicionamento definido para o dia 6 de dezembro.

Se considerarmos apenas os votos das confederações na primeira assembleia, o placar ficaria 15 a 13 contra a proposta de 1/3 da Comissão Estatuinte. Isso porque dois dos 15 votos favoráveis foram da Comissão de Atletas, representada por seu presidente, o judoca Tiago Camilo, e outro de Bernard Rajzman, representante do Comitê Olímpico Internacional (COI). Ou seja, sem esses dois votos, levando em conta apenas as decisões de dirigentes, o "não" teria vencido.

 

Desinformação e surpresa com repercussão

 

Houve ainda quem evitasse opinar por alegar desinformação. Foi o caso de Helio Meirelles, do pentatlo moderno, que voltou nesta terça-feira de viagem da Geórgia, onde participou do 69º Congresso da Federação Internacional da modalidade (UIPM). Ele, que foi representado na Assembleia do COB pelo diretor financeiro da CBPM, se mostrou surpreso com a repercussão negativa nas redes sociais.

- Acho prematuro antecipar (o novo voto) porque não tenho elementos nem do que aconteceu na Assembleia. Não sabia que esse assunto tinha chance de ser votado, não tinha identificado nenhum presidente com essa preocupação. Vou começar a ligar para alguns presidentes para tentar mais informações. Até estranhei, achei uma reação descabida. Se foi aprovado que a cada dois anos vai haver uma revisão do estatuto, acho que essa perda de 12 para 5 com essa repercussão toda foi um pouco excessiva. Muita gente discutindo, debatendo, nominando os presidentes. Parece até essas listas que fazem com deputados que votaram contra alguma coisa.

Para o presidente da CBR, Edson Altino, por sua vez, a figura do dirigente justamente deveria tornar desnecessária a participação presencial dos atletas nas Assembleias, visto que os mesmos – na teoria – representam os interesses do esporte e de seus federados.

- Acredito sinceramente que o presidente de confederação representa os atletas. Se não fosse assim não haveria justificativa de a gente assumir o cargo. Colocar atletas para representar os atletas é uma contradição, é uma prova que não há confiança nos dirigentes. Eu também entendo que isso diminui a representatividade dos presidentes de confederação. O atleta tem que se preocupar no desempenho dele como atleta, confiar no seu dirigente que vai defender os seus interesses da melhor forma.

Veja como foi a votação

A favor (15) Contra (15)
Atletismo Boxe
Vela Canoagem
Esgrima Ginástica
Esportes Aquáticos Handebol
Hipismo Levantamento de Peso
Esportes de Neve Pentatlo Moderno
Judô Remo
Basquete Ciclismo
Triatlo Taekwondo
Hóquei Sobre a Grama Tênis
Golfe Tênis de Mesa
Badminton Tiro com Arco
Rugby* Tiro Esportivo
Comissão de Atletas Vôlei
Representante do COI Wrestling

*Voto da CBRu foi impugnado
** CBF (futebol) e CBDG (gelo) não mandaram representantes

Fonte: globo.com

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