Caf tema de pesquisa e ensino no IFRO

Uma das bebidas mais consumidas no planeta tem sua data comemorativa neste sbado, 14 de abril, com o Dia Mundial do Caf. A cultura do caf tem estado entre os produtos estudados noscampido IFRO (Instituto Federal de Educao, Cincia e Tecnologia de Rondnia).

O Brasil está entre os maiores produtores e exportadores de café do mundo, sendo que no país há outro momento para ressaltar o café, por meio do “Dia Nacional
do Café”, em 24 de maio. Para Rondônia essa também é uma cultura muito importante. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
em seu Levantamento da Produção Agrícola (LSPA), em 2016 o Brasil produziu 3.054.674 toneladas de café e apenas Rondônia 90,3 mil toneladas, valor que
equivale a aproximadamente 3% da produção nacional, ficando em quinto lugar na produção de café do país. Das variedades, o Coffea canephora espécies conilon
e robusta ocupa posição de destaque no cenário nacional.

Segundo informações do Curso Técnico em Alimentos do Campus Jaru, parte do café produzido em Rondônia vai para outros Estados para ser industrializado
e acaba retornando para comercialização local.  A Professora Regiane Pandolfo Marmentini, da área de Engenheira de Alimentos no Campus Jaru, explica que
da mesma forma que outros alimentos, o café “quando consumido com moderação é benéfico”. Ela complementa dizendo que “nenhum alimento possui todos os nutrientes
necessários ao bom funcionamento do corpo humano e por isso é imprescindível uma dieta balanceada, variada e moderada. Então, não gostaria de entrar para
tomar uma xícara de café?”, comenta a docente.

Atualmente, o IFRO participa ativamente desse processo em diferentes frentes de atuação, com destaque para as ações de pesquisa e extensão relacionadas
ao café. Através do Campus Cacoal, por exemplo, o Instituto Federal de Rondônia ocupa um assento na Câmara Setorial do Café, organização de cunho estadual
que fomenta políticas públicas para incentivar produtores rondonienses na adoção de boas práticas, bem como gera apoio técnico e tecnológico para aperfeiçoar
os produtos cafeeiros.

“Uma das grandes vantagens para o IFRO em participar da Câmara é conhecer a realidade dos cafeicultores e suas necessidades. Assim, nossos alunos podem
ter acesso a uma visão real sobre os problemas no processo produtivo e pensar os conceitos técnicos de nossos cursos como estratégias para contornar esses
desafios”, avaliou o Diretor-Geral do CampusCacoal e representante do IFRO na entidade, Davys Sleman.

Um dos exemplos para a ligação do Estado com a produção de café está no município de Cacoal. O segundo ciclo de colonização da região, por volta de 1965,
foi sustentado pela cultura cafeeira. De acordo com a historiadora Lourdes Kemper, na obra “Cacoal, sua história sua gente”, as primeiras mudas chegaram
à cidade por intermédio do pioneiro Clodoaldo Nunes de Oliveira. O plantio do grão na cidade alterou o rumo da economia local, antes baseada no extrativismo,
e foi um chamariz para a migração principalmente de capixabas, mineiros e paranaenses. O auge produtivo dos grãos na região se deu nas décadas de 1980
a 1990, fato que consagrou Cacoal com o título de “Capital do Café” e que reflete ainda hoje em ações de fomento à continuidade do cultivo nas propriedades
rurais da cidade e também da Zona da Mata rondoniense. 

Pesquisa

Outra ferramenta de extensão na qual o IFRO está envolvido é o comitê gestor do projeto Cafeicultura de Rondônia, realizado pelo Serviço Brasileiro de
Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Nessa ação, a engenheira agrônoma Larissa Reinicke representa o Instituto em ações que auxiliam cerca de 300
famílias rondonienses através de assistência técnica especializada, oferta de cursos, palestras e dias de campo. Mestra em Produção Vegetal/Fitotecnia,
Larissa também é a responsável por um projeto de pesquisa aplicado em uma das unidades experimentais de café mantida pelo Campus Cacoal. “Estamos analisando
técnicas de poda de formação para entender qual o modelo mais eficiente e rentável com os clones que são plantados na região de Cacoal e da Zona da Mata,
que hoje representa a maior produção de café em Rondônia”, explicou a professora.

De acordo com ela, os clones plantados nas unidades experimentais foram submetidos a duas técnicas diferentes. Na poda pical a parte superior da haste
é removida, enquanto na técnica de vergamento a haste é dobrada e mantida próxima ao solo através de um arame. “Em ambos os casos, o objetivo é estimular
a planta a desenvolver novas hastes que possam ser selecionadas pelo produtor, visando um maior desenvolvimento de ramos e de frutos. Queremos entender
qual a técnica mais viável e vantajosa para aplicação”, resumiu Larissa.

Em visita à unidade experimental, a professora mostrou um dos clones em que a técnica de vergamento foi aplicada com diversas hastes ainda tenras e prontas
para ser selecionadas, de acordo com características que indicam maior capacidade de desenvolvimento de ramos e grãos. “O período de experimento e coleta
de dados já foi encerrado e agora entramos em uma nova fase da pesquisa, em que vamos analisar essas informações para gerar o conhecimento”. 

Ensino

A execução dessas técnicas, coletas e análise dos dados é chefiada pela professora Larissa Reinicke e conta com a participação das alunas Kelly Andrade
e Vanessa Diniz, ambas estudantes do curso técnico Integrado em Agropecuária. A relação delas com o café, no entanto, começou muito antes da entrada no
Instituto Federal. “Nós moramos no sítio e nos conhecemos há algum tempo. Nossas famílias são da Linha 9 e o meu pai já trabalhou com o cultivo de café.
A família da Kelly ainda cultiva café, então a gente já conhece o processo de produção desde a nossa casa. Acabou que também fizemos estágio juntas na
Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa e Agropecuária) de Ouro Preto do Oeste, e lá também trabalhamos com café. Tudo isso acabou favorecendo o nosso
interesse em atuar nessa pesquisa”, disse Vanessa.

Ao longo das cinco semanas de estágio na Embrapa e dos experimentos da pesquisa, Kelly explica que ela e a amiga adquiriram vários conhecimentos, mas que
nem sempre é fácil influenciar o pai na aplicação de algumas tecnologias que poderiam aprimorar o cultivo cafeeiro de sua propriedade familiar. “Às vezes
são coisas bem simples, como a aplicação de folhas de coqueiro para evitar a queima do clone quando ele é plantado num período de sol intenso. Ainda que
eu dê essas sugestões, elas não são aplicadas pelo meu pai”, contou a aluna.

“Penso que essa resistência a novos métodos ocorre por causa da tradição, porque sempre fizeram desse ou daquele jeito. Isso acaba dificultando um pouco
o trabalho técnico de propor novas tecnologias de produção”, analisou a estudante. Há um método, no entanto, que pode favorecer a transferência da tecnologia
desenvolvida no IFRO e em outras unidades de pesquisa para o campo na visão das alunas. “Penso que ações como os dias de campo são muito efetivas para
demonstrar aos produtores rurais a eficiência das técnicas que pesquisamos no dia a dia do IFRO”, opinou Vanessa.

“Em situações como essa, eles não apenas têm acesso ao conhecimento, mas podem ver um ambiente prático onde ele foi aplicado, como o caso da nossa unidade
experimental”, complementou Kelly.
 

Fonte: Assessoria

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